Guardas municipais capturaram um foragido da Justiça em Limeira, durante a noite de anteontem, e acabaram por descobrir que ele recebia ajuda e refúgio de uma funcionária de uma unidade prisional onde já esteve preso. Após uma denúncia quanto a um homem armado pelo Parque das Nações, uma equipe da GM localizou o office-boy M.E.P., de 24 anos, portando um revólver calibre 38 municiado, além de duas porções de cocaína.
M. era considerado foragido do Centro de Ressocialização (CR) de Limeira, onde cumpria pena em regime semiaberto, ao não retornar à unidade no final do mês passado. Ele assumiu a propriedade da arma e alegou usá-la para sua defesa pessoal, já que estaria sendo ameaçado de morte.
Antes mesmo de M. ser detido por guardas municipais, uma testemunha esteve no Plantão Policial e informou que um homem vestindo uma camiseta verde e armado ameaçava uma mulher em frente a uma pizzaria, na Rua Ceará, na Vila Cristóvam, nas proximidades da delegacia.
Policiais militares foram apurar a denúncia, mas o suspeito já tinha deixado o local. Pouco depois, descobriu-se que a mulher ameaçada era a dona da pizzaria, amásia de M. Antes, porém, quando M. era apresentado no Plantão Policial, apareceu na delegacia a assistente social e diretora de Saúde do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana, S.R.D.E., 28, que reside na rua onde M. foi capturado, ou seja, no Parque das Nações.
Ela informou ter emprestado seu carro, na quarta-feira, a M., que não o restituiu posteriormente. A assistente social e diretora de Saúde do CDP de Americana esclareceu também ter conhecido M. quando ele esteve preso naquela unidade. E mesmo depois da transferência dele para outras unidades prisionais, S. continuou a manter contato com M. por meio de telefonemas. Também o recebeu em sua casa após ele se evadir do CR de Limeira, no final de janeiro, onde permaneceu abrigado por duas noites.
No decorrer do encontro, S. e M., diante da promessa que ele lhe emprestaria R$ 5 mil, foram a São Paulo, onde ficaram por uma noite, ocasião em que S. emprestou seu veículo a M., que não o devolveu ao alegar tê-lo deixado em uma oficina da Capital devido a problemas no câmbio.
Ao saber dos fatos, o delegado de plantão, Paulo Cezar Junqueira Hadich, salientou no registro do caso que "S. continuou a manter contato com M., ainda que sabendo se tratar de pessoa evadida do sistema prisional, não adotando qualquer providência neste sentido, favorecendo-o pessoalmente, além de prevaricar (faltar, por interesse ou má-fé, aos deveres de seu cargo) em sua função pública".
Também foi salientado que, durante a tarde, S. recebeu em sua residência a amásia de M. Após ambas se desentenderem, M. procurou pela amásia - na pizzaria -, ocasião em que a ameaçou com a arma.
O office-boy foi preso em flagrante por porte ilegal de arma, munição e drogas, o que finalizou sua captura, enquanto S. foi autuada por prevaricação (abuso do exercício de suas funções, cometendo injustiças ou causando prejuízos) e também por favorecimento pessoal, que são considerados crimes contra a administração pública. Ela irá responder as acusações em liberdade.
A direção do CDP de Americana e da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coespe) foram comunicados sobre o caso.
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